domingo, outubro 17, 2004

encontrei uma esquina de janela e vagueei

abri janelas às certezas

entraram sem condições

vieram sem imagem,

reflectiam justiça

pouco a pouco
ecoavam vozes
confusas

e tudo irrompia

não se distinguia o brilho do dia
ou a escuridão da noite

tentaram atravessar a vida

metade visível,
mas sem memória

outra metade
densa e insaciada

trouxeram a realidade e o bom senso

juntaram emoções

desejos

carácter
segurança,
palavras difusas

fechou-se a janela

fui ao encontro do esquecimento

deixei partir as certezas

isolei as recordações

voltei costas à realidade visível
ao fundo
a janela abre-se

onda

  abril desfolhado a tela já não é sinfonia nem as aves gritam como qualquer papoila num campo distante não há forças para sonhar ...